terça-feira, 25 de março de 2008

Será...

Será que ainda me resta tempo contigo
ou já te levam balas de um qualquer inimigo
Será que soube dar-te tudo o que querias
ou deixei-me morrer lento no lento morrer dos dias
Será que fiz tudo o que podia fazer
ou fui mais um cobarde nao quis ver sofrer
Será que lá longe ainda o céu é azul
ou já o negro cinzento confude o norte com o sul
Será que a tua pele ainda é macia
ou é a mão que me treme sem ardor nem magia
Será que ainda te posso valer
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer
Será que é de febre este fogo
este grito cruel que da lebre faz lobo
Será que amanha ainda existe para ti
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri
Será que lá fora os carros passam ainda
ou estrelas cairam e qualquer sorte é bem vinda
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes
Será que o sol se põe do lado do mar
ou a luz que me agarra é sombra de luar
Será que as casas cantam e as pedras do chão
ou calou-se a montanha rendeu-se o vulcão
Será que sabes que hoje é domingo
ou os dias nao passam são anjos caindo
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir
Será que sabes que te trago na voz
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós
Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra
Será que consegues ouvir-me dizer
que te Amo tanto quanto outro dia qualquer
Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia nem dia sem fim
Eu sei que me queres e me Amas também
me desejas agora como nunca ninguém
Não partas entao não me deixes sozinho
vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será
Será

Pedro Abrunhosa

domingo, 16 de março de 2008

Futuro?

Um dia disseste que sim, era eu a tal. Era eu que te iria fazer feliz, que me amavas como nunca tinhas amado, era eu que iria ser a mãe dos teus filhos. Até já tinhamos nomes escolhidos!
Ficaram as palavras que agora pesam e me prendem ao chão...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sopro do Coração

Sim, o amor é vão
É certo e sabido
Mas então (porque não) porque sopra ao ouvido
O sopro do coração
Se o amor é vão
Mera dor
Mero gozo
Sorvedouro caprichoso

No sopro do coração...

Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do corpo num turbilhão
Sopra doido
E o que foi do corpo alado nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas,
Raras
Raras
Raras

Corto em dois limão
Chego ao ouvido
Ao frescor
Ao barulho
Á acidez do mergulho

No sangue do coração
Pulsar em vão
É bem dele
É bem isso
E apesar disso eriça a pele

No sopro do coração...


Sérgio Godinho/Clã

terça-feira, 4 de março de 2008

Tudo em mim te foi indiferente

Já tiveste tempo para veres o que é que queres para ti. Se ainda não sabes, ou se sabes e não queres ou tens medo de lutar por isso para não te magoares, agora já não vais conseguir nada.

Eu já ultrapassei todos os limites, já estou sobre-saturada. Sinto-me muito magoada por tudo, às vezes até me sinto humilhada, por me entregado a ti e tu nem reparares nisso, ser-te indiferente. Tudo em mim te foi indiferente, a minha alegria, a minha tristeza, até o chamar-te para um passeio no jardim onde nos conhecemos…

Tenho pena de ficarmos por aqui, de não termos apostado ir um pouco mais além e ver realmente se teríamos sido felizes juntos..