terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Mais um dia que passou. Conto-os como se estivesse numa prisão a contar os dias que faltam para o dia da liberdade. Pesa uma pesada sentença sobre mim, quando o único crime que cometi foi deixar-me amar-te.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Esperança

Esperamos sempre que depois da tempestade venha a bonança. E quando a tempestade não passa?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Essas Coisas

«Você não está mais na idade
de sofrer por essas coisas.»

Há então a idade de sofrer
e a de não sofrer mais
por essas, essas coisas?

As coisas só deviam acontecer
para fazer sofrer
na idade própria de sofrer?

Ou não se devia sofrer
pelas coisas que causam sofrimento
pois vieram fora de hora, e a hora é calma?

E se não estou mais na idade de sofrer
é porque estou morto, e morto
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?


Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Há dias

Há dias assim. Que por mais trabalho que tenha, por mais que a mente esteja ocupada com diversas coisas, a dor continua lá, a embalar o meu acordar e o adormecer. E a não me deixar sorrir.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Em Todas as Ruas te Encontro

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny, in "Pena Capital"

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Indiferença

Olhas-me e abraças-me mas não me vês nem me sentes.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sofro de não te ver

Sofro
de não te ver,
de perder
os teus gestos
leves, lestos,
a tua fala
que o sorriso embala,
a tua alma
límpida, tão calma...

Sofro
de te perder,
durante dias que parecem meses,
durante meses que parecem anos...

Quem vem regar o meu jardim de enganos,
tratar das árvores de tenrinhos ramos?


Saúl Dias, in "Sangue (Inéditos)"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Conversas...

- O que vamos fazer hoje para o jantar? - perguntaste
- "Vamos"?
- Sim, hoje quero cozinhar. Alias hoje faço eu o jantar! Não te deixo entrar na cozinha.
- Mesmo? E o que vais fazer?
- Um jantar romântico. Com direito a velas e sobremesa!
- E o que vai ser a ementa?
- Hmmm… Tens alguma coisa no congelador?
- Não…
- Hmmm… Tostas mistas? Mas com as velas e sobremesa!

sábado, 29 de novembro de 2008

Prozac

Haverá algum Prozac que alivie a dor da tua ausência?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Labirinto ou não Foi Nada

Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua ...
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.

David Mourão-Ferreira, in "À Guitarra e à Viola"

domingo, 23 de novembro de 2008

Mais um porquê...

Porque é que não acontece como nos filmes, naquelas comédias românticas de domingo à tarde, em que após discussões, desentendimentos e até mesmo traições, o destino toma conta da trama e tudo termina com o casalinho feliz?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ausência

O nosso T1 transformou-se numa casa enorme com uns 10 quartos e onde me sinto perdida. Não sei para que lado me devo dirigir. Deambulo do quarto para sala, da sala para cozinha como se não tivesse destino (tenho?). Tudo é cinzento, tudo é ausência. Ausência de ti.

domingo, 16 de novembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Escolhas

Escolheste o caminho mais fácil. Escolheste desistir, abandonar, detonar tudo o que tínhamos solidamente construído.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Razão

Quando me olhavas sentia-me especial, davas razão ao ser que existe em mim.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

SMS

"olá minha kerida! Acordei a pensar em ti. Estou longe c um mar imenso e lindo à minha frente, m o meu pensamento prende-se ao sorriso c q te despediste de mim. Q maldade a tua! Agora só consigo pensar nos teus lábios e em poder-te abraçar-te. Beijo doce"

domingo, 26 de outubro de 2008

Stay

Green line, Seven Eleven
You stop in
For a pack of cigarettes
You don't smoke
Don't even want to
Hey! Now check you change
Dressed up like a car crash
The wheels are turning
But you're upside down
You say when he hits you
You don't mind
Because when he hurts you
You feel alive
Is that what it is?

Red light, gray morning
You stumble
Out of a hole in the ground
A vampire or a victim
It depends on who's around
You used to stay in
To watch the adverts
You could lip synch
To the talk shows
And if you look
You look through me
And when you talk
you talk at me
And when I touch you
You don't feel a thing

If I could stay
Then the night would give you up
Stay
Then the day would keep its trust
Stay and the night would be enough

Faraway, so close
Up with the static and the radio
With satellite television
You can go anywhere
Miami, New Orleans
London, Belfast and Berlin
And if you listen
I can't call
And if you jump
You just might fall
And if you shout
I'll only hear you

If I could stay
Then the night would give you up
Stay
Then the day would keep its trust
Stay
With the demons you drowned
Stay
With the spirits I found
Stay
And the night would be enough

Three o'clock in the morning
It's quiet and there's no one around
Just the bang and the clatter
As an angel runs to ground
Just the bang and the clatter
As an angel hits to ground


U2

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Mai uma vez...

- Querido, vens jantar hoje?
- ….
- Vens?
- ….
- 'Tas aí?
- 'Tou
- E então?
- Então o quê?
- Vens jantar hoje?
- ….

domingo, 19 de outubro de 2008

Tempo

Não me bastam, restos do teu tempo…
Mas são eles que me mantêm,
E para que o tempo sem ti seja menos saudade…
Quando estou contigo reservo sempre uma parte da tua presença para servir de ponte
Sobre o abismo da tua ausência…


Maria Branco

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Doce

- Amor? Chegas-me o sal?
- Não queres antes a pimenta? Está mais perto…
- Não, quero o sal
- Porquê? Porque não queres antes a pimenta?
- Porque uma coisa não substitui a outra, não é óbvio? Além de que, não gosto muito da comida picante.
- Ok… Mas gostas de mim certo?
- Claro! Adoro doces!!

sábado, 11 de outubro de 2008

Parado

As pessoas continuam a aparecer. Na rua, em minha casa, por todo o lado. E, principalmente nos sonhos. Aparecem-me em sonhos sem serem chamadas, sem desejá-las lá. Vêm e dominam a parte de mim que pensava já ter controlado. Sem pudor, sem inibição, atacam-me e deixam-me assim. Será a vida a insistir comigo? Ruídos que tentam anular a minha voz. Estou a tentar o silêncio. Assim, não consigo dormir. Não posso dormir. Ela, às vezes, também aparece. Depois acordo como um adolescente e não sei o que pensar. Talvez chorar, mas não. Fico embaraçado comigo mesmo, envergonhado, mesmo achando que não devo sentir vergonha. As pessoas estão aí. Quero controlar o que nelas me motiva. Também elas morrem, partem, mentem. São como tudo o que aqui há. O que, em mim, é comum a elas desperta ferozmente durante a noite. Ninguém me ensinou o que fazer com isso. Suponho que tenho de aguentar. Ficar parado, não mexer, não respirar.


Ana Vicente - "EU BARRA TU BARRA MIM"

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Confiança

"Deixa-me massajar-te os pés" pediste-me. Eu não suporto que me toquem nos pés. Tudo me faz cócegas, tudo é desconforto. Por mim andava sempre de sapatos confortáveis, nada de saltos. "Deixa, vais ver que vais gostar", insististe já a aproximares-te do meu pézinho. Nãoooo, supliquei já a fugir de ti. "Confia em mim" disseste com o olhar e o sorriso com que me conquistaste. E eu confiei.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sem ti...

Cada acto da minha vida perderia o sentido,
Deixar-me-ia à deriva, sem rumo e sem porto,
porque, apesar de não seres responsável
pelos meus sonhos, és a razão última de todos eles...
Sem ti que faria eu com o futuro,
com o dia a dia por chegar,
Com a minha vida passada e as minhas recordações...
Sem que me ouças,
por vezes digo baixinho:
Por favor, fica a meu lado,
nunca te vás embora.


Maria Branco

terça-feira, 30 de setembro de 2008

...

Sinto-me vazia, a cada dia que passa reduzo-me mais a pó e a nada. Contigo levaste a bateria que carregava a minha essência vital: o teu sorriso.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

30 páginas

Eram as trinta páginas mais importantes da minha vida. Ao escrever, tinha vivido. Eram trinta páginas que eram o meu amor todo e a minha esperança. Sentado à escrivaninha onde os anos passavam, olhávamo-nos muito: ela dentro de mim e o meu olhar dentro de mim, junto dela. O meu braço tremia e, com a esferográfica, escrevia em folhas brancas cada uma das palavras que a diziam. Ela sentia as palavras a tocarem-na. Ela fechava lentamente os olhos. E o tempo em que mantinha as pálpebras fechadas era tocar-me, era tocar o sol e, na pele, absorver toda a sua luz. Eu, que não podia ter nos braços aquela vida interior que era a minha vida toda, que não podia dar-lhe a mão, que não podia sequer passar-lhe os dedos devagar pelo rosto, fazia tudo isso escrevendo. Nas palavras escritas tocávamo-nos realmente. Como duas pessoas sobre a terra. Nas palavras, existiam os nossos olhares enternecidos. Dentro de cada uma das palavras, existiam mil palavras, e também cada uma dessas mil palavras tinha dentro de si mil palavras. E mesmo essas palavras que existiam dentro de outras palavras eram enormes, porque também elas tinhas dentro de si mil palavras que tinham dentro de si mil palavras. Nas palavras escritas, éramos possíveis. O nosso amor. Tudo. O mundo. Por isso, aquelas eram as trinta páginas mais importantes da minha vida.


José Luís Peixoto – “UMA CASA NA ESCURIDÃO”

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Tudo me é uma dansa em que procuro

Tudo me é uma dansa em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonhar obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar...


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Hoje...

..foi um dia difícil. Não era nenhuma data especial, mas foi difícil. Estavas presente em todos os pormenores e locais por onde vagueava. Hoje senti como nunca a tua ausência. Não gostavas de me ver chorar, não suportavas mesmo, e por isso saíste daquela maneira, mas hoje não consegui suster as lágrimas… Perdoa-me.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Grito






Foto de MISHA GORDIN: The New Crowd

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Olhar

Estar a olhar para ti, só a olhar para ti, já é suficiente. Tu olhas-me de soslaio e continuas a fazer o que tens a fazer. Ao computador, a comer, a ver televisão, o que for. Eu fico a olhar a ti. Tu não pareces incomodado, mas nem entusiasmado. Suponho que, no fundo, te irrite um pouco. Quando estou a olhar para ti, tenho medo. Fico com um medo profundo, que passa ao fim de uns momentos, de te perder. Mas não te digo, porque não te quero distrair. Só quando dormes é que te digo. Porque uma vez disse-te quando estavas acordado e tu ficaste com lágrimas nos olhos e disseste "é inevitável". Depois beijámo-nos e fizemos amor e eu fiquei tranquila de novo. Porque alguém que me ama dessa maneira não pode deixar-me de um momento para o outro. Mas de qualquer forma, já não te digo. Chamas-me doce e dizes que sou uma mulher maravilhosa. Eu acredito. Nada de mal acontecerá. Porque tudo de bom me está a acontecer.


Ana Vicente - "EU BARRA TU BARRA MIM"

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

As nossas almas

Num sábado fomos jantar com um casal amigo. Uma noite bem passada, muito animada. Mas havia qualquer coisa em ti, mal olhavas para mim, era como se eu não estivesse presente e fosse uma jantar a 3 em vez de 4... Quando chegámos a casa, perguntei o que se passava. Respondeste-me com um beijo apaixonado e disseste que me amavas, que tinhas cada vez mais certeza disso. E abraçaste-me com tanta força que quase me faltou o ar. Foi uma noite de verdadeira entrega e comunhão de almas, braços, bocas, corpos, fluidos, tudo. Mais tarde disseste-me que na noite anterior me evitavas porque quando olhavas para mim só me conseguias ver nua.

domingo, 7 de setembro de 2008

Quando...

Hoje o teu sorriso, quando chegaste, teve algo de mágico. A sardinheira rosa do parapeito abriu mais uma flor. E o Sol, a quem uma nuvem tapava, disparou um raio que te alcançou em cheio no teu olhar mais doce. A Natureza a saudar a primavera de cada regresso. Apetece-me agarrar-te e sussurrar-te ao ouvido tanta coisa que não sei por onde começar. Fica para mais logo. Agora preciso apenas do teu abraço. Antevejo momentos de paz e palavras doces… Quando chegas, tudo é perfeito, tudo é cor...

Maria Branco

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Love Should




So we sleep in beds
We've never made
Holding close to love
When love should fade
Holding on to this is the best thing we'll ever do

Morning sun is sweet and soft on your eyes
Oh my love, you always leave me surprised
Before my heart starts to burst
With all my love for you

And know how it rains
And know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you

And know how it rains
And know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you

So it takes some time
And slip away
Holding on to love
When love should stay
Holding on to you is the best thing I'll ever do

Evening sun is sweet and soft in your face
So I'll never ever leave this place
I feel my heart start to burst
With all my love for you

And know how it rains
And know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you

And know how it rains
And know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you

Moby

domingo, 31 de agosto de 2008

Ligas-me?

Desde que partiste nunca mais falámos. nem por mensagem, msn, e-mail. Não conseguirias falar comigo depois de tudo. Talvez um dia possamos ser amigos, disseste a modos de despedida. Soube de ti por um amigo, que estás bem (és feliz?). Mantenho o antigo número do telemóvel e o telemóvel sempre ligado em volume máximo. Para o caso de ligares...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Carta

Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...

Saudade é o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verão
nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a pairar sobre o mundo
em tudo o que vejo...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua... nua
numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados

aos quais te vais moldando...E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...

Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números
raízes quadradas de somas subtraídas
sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso ao teu gesto mimado
e à palma da tua mão...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
e a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua... nua
Numa chama minha e tua.

Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos
que voltei a encontrar em ti...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...

...nela te pinto nua... nua
Numa chama minha e tua.

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.

Toranja – “ESQUISSOS”

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Canto...

.... há alturas em que as palavras perdem o sentido, e a voz se cala...

Mas, mesmo aí, nessa altura, quando a voz me falhar, continuarei a cantar para ti, no silêncio de todas as palavras...

Maria Branco

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Onde estás querido? Tenho frio...

domingo, 17 de agosto de 2008

Apesar das ruínas e da morte

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A tua presença

Eu já nada sinto
e afinal
eu gosto de não sentir nada
sozinho na calma das horas passadas
tão só numa outra quietude
num sossego tão só sossegado
e esquecido
eu me esqueça de mim
aos bocados
adormece-me um sono dormente
que aos poucos se apaga
um sonho qualquer
mas não me acordes
não mexas
não me embales sequer
eu quero estar mesmo como eu estou
quietamente
ausente
assim
a viagem que eu não vou
nunca chega até ao fim
é longe
longe
tão longe
que de repente tu chegas
tu brilhas e luzes
na cor das laranjas
tu coras e tinges
a mancha da marca
na alma da luz
da sombra que finges
e tu já não me largas
saudade
tu queres-me tanto
e se eu lembro
tu mexes comigo
tu andas cá dentro
à volta do meu coração
no meu pensamento
também
e por mais que eu não queira
tu queres-me bem
e desdobras os mundos em cores
e levas-me pela tua mão
cativando o meu corpo
a minha alma
a razão
só a tua presença
é que me inquieta
aquela outra ausência
dói
como um passado projecta
aquele futuro que se foi
p´ra longe
longe
tão longe
que nunca se acaba
esta inquietação
se evitas momentos
já quase finais
e ficas comigo
ainda e sempre
um pouco mais
tu nunca me deixas
saudade
tu nunca me deixas


Fausto

domingo, 10 de agosto de 2008

Flores

Sabias que eu adorava flores. Tinha sempre uma jarra com flores frescas na sala. Oferecias-me muitas vezes uma simples flor: uma orquídea, uma geribéria, um girassol, uma rosa ou uma pequena flor apanhada no jardim a caminho de casa (sabes que é proibido, não sabes?). Sabias que era um mimo que me desarmava, por mais zangada, triste que estivesse, esse gesto devolvia-me automáticamente o sorriso. Era um pedido de desculpas e um perdão ao mesmo tempo, era uma forma de dizeres que me amavas, mesmo quando já usavamos pouco as palavras. Mas houve um dia em que não houve flores, palavras, abraços, beijos. Ofereceste-me o teu silêncio, um olhar vazio, uma indiferença gelada...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Infelicidade

É certo que a infelicidade não depende apenas da dor, mas a alegria, essa, só devia depender da ausência de dor física. Vinte séculos inteiros e completos não inventaram uma explicação do sofrimento; sofre-se em comparação com o que é não sofrer, e nenhum homem saudável quer ser educado previamente para aquilo que é mau. Já não se treina a resistência à dor: evita-se, sim, a mistura com essa "coisa" repelente.


(Gonçalo M. Tavares- A MÁQUINA DE JOSEPH WALSER)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.


W.H. Auden

sábado, 2 de agosto de 2008

Pergunta

Porque prometeste o que sabias que nunca havias de cumprir?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Agarra-me esta noite

Onde estiveres, eu estou
Onde tu fores, eu vou
Se tu quiseres assim
Meu corpo é o teu mundo
E um beijo um segundo
És parte de mim
Para onde olhares, eu corro
Se me faltares, eu morro
Quando vieres, distante
Soltam-se amarras
E tocam guitarras
Por ti, como dantes
Agarra-me esta noite
Sente o tempo que eu perdi
Agarra-me esta noite
Que amanhã não estou aqui



Pedro Abrunhosa

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Preciso...

Preciso do teu corpo, do sal das tuas mãos em mim, preciso de ti...As tuas ausências despem-me os ombros nus ao luar. Hoje a luz da lua não me beija como antigamente. Hoje queima-me a pele branca. Porque está grávida de ti e da tua ausência.Eu sei. Não o digas. Eu sei que a despedida é sempre inevitável. Eu sei tudo isso e porém nem por isso me dói menos quando te arrancas da minha carne e me deixas aqui.(cubro-te os lábios com a fome dos meus)Vou dormir todos estes dias em que não estás. Vou-me deitar quieta na minha cama, vou encolher o corpo, vou quedar-me na posição fetal (aquela em que sempre durmo, lembras?) e aguardar que a tua voz me desperte suavemente deste torpor e que com os teus braços me salves dos pesadelos particulares.Vou esquecer que lá fora, fora do meu quarto, há pessoas a gritarem, há pessoas a viverem, há pessoas a parirem.Nada me importa. Quero apenas que quando ao chegares te debruces suavemente e me murmures ao ouvido: "cheguei amor" e me tomes nos teus braços como uma criança que se aninha no colo da mãe.


(Fairy Morgaine- O Grito do Silêncio)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Pergunta

Como se escreve carinho, conforto, descanso, ternura, meiguice, aconchego?

sábado, 19 de julho de 2008

A ti

A ti
deixo meu ser
meu corpo
meu sangue
cada parte de mim
fiz tua

A ti
em cada madrugada
deixo meu amor
em cada beijo
que damos
em cada toque
que sentimos

A ti
plantei a orquidea
deixei crescer mil árvores
fiz da natureza
parte do nosso amor
e assim
flutua
eterno
cada dia
que amo-te


Francisco Marques

terça-feira, 15 de julho de 2008

A minha dor

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal ...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias ...

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve ... ninguém vê ... ninguém ...

Florbela Espanca

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Toque

Quando me tocavas, quando sentia a tua pele a tocar na minha, sentia um arrepio ardente, como se uma brisa do mar me percorresse o corpo numa tarde de calor tórrido. O teu beijo, quente e suave, fazia-me desfalecer nos teus braços. Braços que se entrelaçavam nos meus e no fim já não havia braços suficientes para abraçar tanto amor, tanto carinho e tanta cumplicidade. Já não eram os teus e os meus braços, era um emaranhado de dedos com origem num único ser

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Porquê?

Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porquê? Porque que é que a tua ausência dói tanto?


Porque não respondes?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Beijo

Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar
E vais ver-me lutar
Para que esse mar não nos vença.
Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.
Leva os meus braços,
Esconde-te em mim,
Que a dor do silêncio
Contigo eu venço
Num beijo assim.
Não posso deixar de sentir-te
Na memória das mãos,
Vou ficar a despir-te,
E talvez ouça rir-te
Nas paredes, no chão.
Não posso mentir que as lágrimas
São saudades do beijo,
Vou ficar mais despido
Que um corpo vencido,
Perdido em desejo.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.



Pedro Abrunhosa

quinta-feira, 3 de julho de 2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Perguntaste-me um dia...

se não queria comprar uns sofás novos. Ajudar-me-ias a pagar. Ficavam já para a casa que um dia compraríamos. Disseste que querias passar mais tempo comigo, não que o sofá fosse importante para isso, mas eram-no para a tua coluna. E não querias estar todo torto ao meu lado, "parece mal" dizias "uma mulheraça gira com um gajo que não se aguenta". Sabias bem como me levar, sabias usar as palavras para me convencer, para me enaltecer. Fazias-me sentir amada, desejada, querida, orgulhosa, confiante, como nunca me tinha sentido antes. Comprámos os sofás. As tuas palavras tornaram-se silêncio. A minha presença transformou-se em indiferença. Hoje só consigo sentir raiva, mágoa, dor, vazio....

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pergunta

Quando pensavas em mim, eras feliz?

domingo, 29 de junho de 2008

Quando abracei o travesseiro, procurei o teu rosto...
A tua imagem se fez chuva escorrendo nos meus olhos,
Lacrimejados no amor e na saudade desceram as lagrimas ,
Gritava por teu nome... e na noite escura lá fora a solidão,
Teimava em entrar!
Eu só queria abraçar o teu corpo! e deitar fora esta dor!
Mandar embora os fantasmas que acordaram os meus desejos!
Queria deixar as nosssas almas saciar a fome no amor!
Queria entrar na tua lua e descobrir as tuas fantasias!
Os teus mistérios e empreeguinar-me de mansinho...
Na estrada dos teus sonhos!
E por um instante despir a tua alma junto à minha...

Ivanete (adaptado)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Pergunta

Sentes saudades minhas?

terça-feira, 24 de junho de 2008

Queria...

abraçar-te como quem abraça o vento
segurar-te como quem segura o tempo.

Amo-te...

Amo-te como amo a tranquilidade das noites estreladas
Amo-te como amo o bálsamo das flores de jasmim.
Amo-te como amo o último sorriso do dia se desvanecendo…
no qual persiste em ficar como o olhar que lançamos em êxtase ao falecido.
Amo-te como amo o tom de uma flauta sussurrando…
da alma de quem acordou por mim, quando todo o mundo está mudo.

Desconhecido

domingo, 22 de junho de 2008

Porque não me vês

Meu amor adeus
Tem cuidado
Se a dor é um espinho
Que espeta sozinho
Do outro lado
Meu bem desvairado
Tão aflito
Se a dor é um dó
Que desfaz o nó
E desata um grito
Um mau olhado
Um mal pecado
E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono
Porque não me vês
Maresia
Se a dor é um ciúme
Que espalha um perfume
Que me agonia
Vem me ver amor
De mansinho
Se a dor é um mar
Louco a transbordar
Noutro caminho
Quase a espraiar
Quase a afundar
E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono



Fausto

sábado, 21 de junho de 2008

Querias fazer projectos para o futuro, para o nosso futuro. Estavas feliz! Querias partilhar comigo essa felicidade, querias fazer planos para o futuro. Estavas tão empenhado que senti medo. Medo de acordar de um sonho, medo de não ser capaz de satisfazer as tuas expectativas, medo de ter medo do futuro, medo de nunca concretizarmos esses planos. Amava-te tanto e sentia-me tão amada. Sabes, era só isso que importava...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Morri

"Aqui jaz o amor de uma vida. Por toda a eternidade."
é o que está gravado na lápide que é o meu coração.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Deixas Em Mim Tanto De Ti

A noite não tem braços
Que te impeçam de partir
Nas sombras do meu quarto
Há mil sonhos por cumprir

Não sei quanto tempo fomos
Nem sei se te trago em mim
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manha
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sos
Porque tu,

Deixas em mim
Tanto de ti
Matam-me os dias
As mãos vazias de ti

A estrada ainda longa
Cem quilmetros de chão
Quando a espera não tem fim
Há distãncias sem perdão.

No sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manha,
Nem sei o que resta em nos,
Sei das ruas que corremos sos,
Porque tu,

Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.
Navegas escondida,

Perdes nas mãos o meu corpo,
Beijas-me um sopro de vida,
Como um barco abraça o porto.

Porque tu,
Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As maos vazias de ti.


Pedro Abrunhosa

domingo, 15 de junho de 2008

O amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência repetida mil vezes na vontade sincera de desejar que o céu compreenda. Levantam-se tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda. O amor é o sentido de todas as palavras impossíveis. Atravessar o interior de uma montanha. Correr pelas horas originais do mundo. O amor é a paz fresca e a combustão de um incêndio dentro, dentro, dentro, dentro, dentro dos dias. Em cada instante da manhã, o céu a deslizar como um rio. À tarde, o sol como uma certeza. O amor é feito de claridade e da seiva das rochas. O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna. O amor é feito de claridade e da seiva das rochas. O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna. O amor é feito de tantas coisas opostas e verdadeiras. Nascem lugares para o amor e, nesses jardins etéreos, a salvação é uma brisa que cai sobre o rosto suavemente


José Luís Peixoto - "Uma casa da escuridão"

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O meu projecto de morrer é o meu ofício

O meu projecto de morrer é o meu ofício
Esperar é um modo de chegares
Um modo de te amar dentro do tempo

Daniel Faria

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Confiança

A confiança é uma das maiores provas de amor. A indiferença é uma prova de quê?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Partilha

Baunilha. Era o teu gelado favorito.” Simples e saboroso, é como tu” dizias com um sorriso nos lábios refrescados que aquecias nos meus. Partilhavas assim a tua existência comigo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

I Cried For You

You're beautiful so silently
It lies beneath a shade of blue
It struck me so violently
When I looked at you

But others pass, the never pause,
To feel that magic in your hand
To me you're like a wild rose T
hey never understand why

I cried for you
When the sky cried for you
And when you went
I became a hopeless drifter
But this life was not for you
Though I learned from you,
That beauty need only be a whisper

I'll cross the sea for a different world,
With your treasure, a secret for me to hold

In many years they may forget
This love of ours or that we met,
They may not know
how much you meant to me.

I cried for you
And the sky cried for you,
And when you went
I became a hopeless drifter.
But this life was not for you,
Though I learned from you,
That beauty need only be a whisper

Without you now I see,
How fragile the world can be
And I know you've gone away
But in my heart you'll always stay.

I cried for you
And the sky cried for you,
And when you went
I became a hopeless drifter.
But this life was not for you,
Though I learned from you,
That beauty need only be a whisper
That beauty need only be a whisper


Katie Melua

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Vazio

Naquele dia fazia um par de anos que decidimos confiar as nossas vidas um ao outro. Cheguei mais cedo a casa, preparei um belo jantar e preparei-me para ti. Tinha planos para que fosse uma longa noite, cheia da nossa cumplicidade. E foi. Foi longa, muito longa e vazia de ti....

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Deixa-me

Sai. Vai. Deixa-me. Não vês que quero voltar a viver? Porque não deixas? Porque me persegues em todos os momentos? Porque não posso ir comprar pão sem sentir (desejar?) a tua presença em todas as esquinas que contorno? Porque não posso ir à praia sem nos ver, aos dois à beira-mar, contigo a puxar-me para a água? Porque não posso passar por uma esplanada sem nos ver lá sentados e tu a devorares uma tosta mista? Porque não me posso sentar no sofá sem sentir os teus braços nos meus?

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Sonho

Hoje sonhei contigo. Não queria acordar, queria sentir que ainda estavas ao meu lado. Era um sonho, mas eras tu. Era um sonho, mas estavas lá... e eu também. Acordei e não conseguir suster as lágrimas. Porquê? Porque é que mesmo nos sonhos não consegues parar de me magoar? Porque é que continuas a insistir nesta maldade quando apenas eu só queria existir no teu mundo e sentir que não te era indiferente?

domingo, 20 de abril de 2008

Sweet

Sweet about me, nothing sweet about me

If there’s lessons to be learned, I’d rather get my jamming words in first so, tell you something that I’ve found, that the worlds a better place when it’s upside down boy.

If there’s lessons to be learned, I’d rather get my jamming words in first so, when your playing with desire, don’t come running to my place when it burns like fire boy.

Sweet about me, nothing sweet about me

Gabriella Cilmi

terça-feira, 15 de abril de 2008

Esperança

Será que um dia, num outro sítio, num outro lugar, numa outra vida nos vamos reencontrar e viver tudo o que prometemos um ao outro?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Porquê

... é que a tua ausência dói tanto como a tua indiferença, que doem tanto como um punhal espetado no peito?

terça-feira, 1 de abril de 2008

Lembras-te...

... do dia em que nos conhecemos? Dos olhares e dos sorrisos trocados? De quando me tocavas com intenção, mas sempre com pretextos?

Hoje já não trocamos nada, apenas ficou o vazio...

terça-feira, 25 de março de 2008

Será...

Será que ainda me resta tempo contigo
ou já te levam balas de um qualquer inimigo
Será que soube dar-te tudo o que querias
ou deixei-me morrer lento no lento morrer dos dias
Será que fiz tudo o que podia fazer
ou fui mais um cobarde nao quis ver sofrer
Será que lá longe ainda o céu é azul
ou já o negro cinzento confude o norte com o sul
Será que a tua pele ainda é macia
ou é a mão que me treme sem ardor nem magia
Será que ainda te posso valer
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer
Será que é de febre este fogo
este grito cruel que da lebre faz lobo
Será que amanha ainda existe para ti
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri
Será que lá fora os carros passam ainda
ou estrelas cairam e qualquer sorte é bem vinda
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes
Será que o sol se põe do lado do mar
ou a luz que me agarra é sombra de luar
Será que as casas cantam e as pedras do chão
ou calou-se a montanha rendeu-se o vulcão
Será que sabes que hoje é domingo
ou os dias nao passam são anjos caindo
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir
Será que sabes que te trago na voz
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós
Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra
Será que consegues ouvir-me dizer
que te Amo tanto quanto outro dia qualquer
Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia nem dia sem fim
Eu sei que me queres e me Amas também
me desejas agora como nunca ninguém
Não partas entao não me deixes sozinho
vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será
Será

Pedro Abrunhosa

domingo, 16 de março de 2008

Futuro?

Um dia disseste que sim, era eu a tal. Era eu que te iria fazer feliz, que me amavas como nunca tinhas amado, era eu que iria ser a mãe dos teus filhos. Até já tinhamos nomes escolhidos!
Ficaram as palavras que agora pesam e me prendem ao chão...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sopro do Coração

Sim, o amor é vão
É certo e sabido
Mas então (porque não) porque sopra ao ouvido
O sopro do coração
Se o amor é vão
Mera dor
Mero gozo
Sorvedouro caprichoso

No sopro do coração...

Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do corpo num turbilhão
Sopra doido
E o que foi do corpo alado nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas,
Raras
Raras
Raras

Corto em dois limão
Chego ao ouvido
Ao frescor
Ao barulho
Á acidez do mergulho

No sangue do coração
Pulsar em vão
É bem dele
É bem isso
E apesar disso eriça a pele

No sopro do coração...


Sérgio Godinho/Clã

terça-feira, 4 de março de 2008

Tudo em mim te foi indiferente

Já tiveste tempo para veres o que é que queres para ti. Se ainda não sabes, ou se sabes e não queres ou tens medo de lutar por isso para não te magoares, agora já não vais conseguir nada.

Eu já ultrapassei todos os limites, já estou sobre-saturada. Sinto-me muito magoada por tudo, às vezes até me sinto humilhada, por me entregado a ti e tu nem reparares nisso, ser-te indiferente. Tudo em mim te foi indiferente, a minha alegria, a minha tristeza, até o chamar-te para um passeio no jardim onde nos conhecemos…

Tenho pena de ficarmos por aqui, de não termos apostado ir um pouco mais além e ver realmente se teríamos sido felizes juntos..

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Estou aqui...

Vês-me? Sou eu que estou ao teu lado. Sou eu, aquela que escolheste amar para sempre. Vês-me? Estou aqui... Sou eu... Olha para mim... Vê como te amo... Sente como fico feliz por estar ao teu lado, como vibro de paixão e de desejo por ti... Sentes?...

Será que morri e não sei?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Amar Como Te Amei

Amar como te amei ninguém mais ama
De tanto que nem sei se vale a pena
Amar, e sempre amar a quem mais clama
O nosso desamor feito dilema

Dar e não saber se quem recebe
É cego ou não quer ver toda a saudade
Que existe, e que persiste e não percebe
O triste deste amor em fim de tarde

Ninguém mais do que tu foi tão verdade
Das coisas que nos dão razão à vida
Prisão que ontem foi de liberdade
E hoje se transforma em chaga viva

Amar como te amei ninguém mais ama
De tanto que nem sei se vale a pena
Manter nesta paixão acesa a chama
Ou apagar num sopro este dilema

Ninguém mais do que tu foi tão verdade
Das coisas que nos dão razão à vida
Prisão que ontem foi de liberdade
E hoje se transforma em chaga viva


Paulo Abreu Lima

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Veneno

O que me corre nas veias já não é sangue, aquela suspensão quente e que me fazia sentir viva.

Foi transformado em Veneno, altamente corrosivo mas de efeito lento, muito lento... que dói muito e me mata aos poucos...