domingo, 31 de agosto de 2008

Ligas-me?

Desde que partiste nunca mais falámos. nem por mensagem, msn, e-mail. Não conseguirias falar comigo depois de tudo. Talvez um dia possamos ser amigos, disseste a modos de despedida. Soube de ti por um amigo, que estás bem (és feliz?). Mantenho o antigo número do telemóvel e o telemóvel sempre ligado em volume máximo. Para o caso de ligares...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Carta

Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...

Saudade é o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verão
nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a pairar sobre o mundo
em tudo o que vejo...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua... nua
numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados

aos quais te vais moldando...E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...

Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números
raízes quadradas de somas subtraídas
sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso ao teu gesto mimado
e à palma da tua mão...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
e a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua... nua
Numa chama minha e tua.

Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos
que voltei a encontrar em ti...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...

...nela te pinto nua... nua
Numa chama minha e tua.

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.

Toranja – “ESQUISSOS”

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Canto...

.... há alturas em que as palavras perdem o sentido, e a voz se cala...

Mas, mesmo aí, nessa altura, quando a voz me falhar, continuarei a cantar para ti, no silêncio de todas as palavras...

Maria Branco

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Onde estás querido? Tenho frio...

domingo, 17 de agosto de 2008

Apesar das ruínas e da morte

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A tua presença

Eu já nada sinto
e afinal
eu gosto de não sentir nada
sozinho na calma das horas passadas
tão só numa outra quietude
num sossego tão só sossegado
e esquecido
eu me esqueça de mim
aos bocados
adormece-me um sono dormente
que aos poucos se apaga
um sonho qualquer
mas não me acordes
não mexas
não me embales sequer
eu quero estar mesmo como eu estou
quietamente
ausente
assim
a viagem que eu não vou
nunca chega até ao fim
é longe
longe
tão longe
que de repente tu chegas
tu brilhas e luzes
na cor das laranjas
tu coras e tinges
a mancha da marca
na alma da luz
da sombra que finges
e tu já não me largas
saudade
tu queres-me tanto
e se eu lembro
tu mexes comigo
tu andas cá dentro
à volta do meu coração
no meu pensamento
também
e por mais que eu não queira
tu queres-me bem
e desdobras os mundos em cores
e levas-me pela tua mão
cativando o meu corpo
a minha alma
a razão
só a tua presença
é que me inquieta
aquela outra ausência
dói
como um passado projecta
aquele futuro que se foi
p´ra longe
longe
tão longe
que nunca se acaba
esta inquietação
se evitas momentos
já quase finais
e ficas comigo
ainda e sempre
um pouco mais
tu nunca me deixas
saudade
tu nunca me deixas


Fausto

domingo, 10 de agosto de 2008

Flores

Sabias que eu adorava flores. Tinha sempre uma jarra com flores frescas na sala. Oferecias-me muitas vezes uma simples flor: uma orquídea, uma geribéria, um girassol, uma rosa ou uma pequena flor apanhada no jardim a caminho de casa (sabes que é proibido, não sabes?). Sabias que era um mimo que me desarmava, por mais zangada, triste que estivesse, esse gesto devolvia-me automáticamente o sorriso. Era um pedido de desculpas e um perdão ao mesmo tempo, era uma forma de dizeres que me amavas, mesmo quando já usavamos pouco as palavras. Mas houve um dia em que não houve flores, palavras, abraços, beijos. Ofereceste-me o teu silêncio, um olhar vazio, uma indiferença gelada...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Infelicidade

É certo que a infelicidade não depende apenas da dor, mas a alegria, essa, só devia depender da ausência de dor física. Vinte séculos inteiros e completos não inventaram uma explicação do sofrimento; sofre-se em comparação com o que é não sofrer, e nenhum homem saudável quer ser educado previamente para aquilo que é mau. Já não se treina a resistência à dor: evita-se, sim, a mistura com essa "coisa" repelente.


(Gonçalo M. Tavares- A MÁQUINA DE JOSEPH WALSER)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.


W.H. Auden

sábado, 2 de agosto de 2008

Pergunta

Porque prometeste o que sabias que nunca havias de cumprir?