sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Doença I

Estou doente. Gripe malvada que depressa tomou conta de mim. Dor de alma que se confunde com dor de corpo, mas que continua forte e presente e para a qual desconheço analgésico.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sempre!

Pensas que te não vejo a ti? Bom era!
Gravei tão vivamente n'alma a dôce
E bella imagem tua, que eu quizera
Deixar de contemplar-te, só que fosse
Um momento, e não posso, não consigo!

Foges-me, escondes-te e que importa? Esculpes
Mais fundo ainda os indeleveis traços!
Realça-te o retrato! E não me culpes!
Culpa-te antes a ti!... Sigo-te os passos!...
Vejo-te sempre!... trago-te comigo!...

João de Deus, in 'Ramo de Flores'

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Talvez

Talvez um dia. Quando o tempo fechar esta ferida consigamos perceber e crescer. E aí perdoar.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ilusão Perdida

Florida ilusão que em mim deixaste
a lentidão duma inquietude
vibrando em meu sentir tu juntaste
todos os sonhos da minha juventude.

Depois dum amargor tu afastaste-te,
e a princípio não percebi. Tu partiras
tal como chegaste uma tarde
para alentar meu coração mergulhado

na profundidade dum desencanto.
Depois perfumaste-te com meu pranto,
fiz-te doçura do meu coração,

agora tens aridez de nó,
um novo desencanto, árvore nua
que amanhã se tornará germinação.

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'
Tradução de Albano Martins

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Antes...

... da indiferença, foi a ausência. Ausência do namorado, do amigo, daquela pessoa que está sempre presente em todos os momentos, os bons e os maus, os de risos e os de lágrimas…

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sorri

Hoje sorri. Já não me lembrava da última vez que tinha sorrido. Hoje sorri depois de ter ficado encharcada com a chuva que me apanhou de surpresa no meio da rua.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

De um Amor Morto

De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano

De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora

Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"