terça-feira, 30 de setembro de 2008

...

Sinto-me vazia, a cada dia que passa reduzo-me mais a pó e a nada. Contigo levaste a bateria que carregava a minha essência vital: o teu sorriso.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

30 páginas

Eram as trinta páginas mais importantes da minha vida. Ao escrever, tinha vivido. Eram trinta páginas que eram o meu amor todo e a minha esperança. Sentado à escrivaninha onde os anos passavam, olhávamo-nos muito: ela dentro de mim e o meu olhar dentro de mim, junto dela. O meu braço tremia e, com a esferográfica, escrevia em folhas brancas cada uma das palavras que a diziam. Ela sentia as palavras a tocarem-na. Ela fechava lentamente os olhos. E o tempo em que mantinha as pálpebras fechadas era tocar-me, era tocar o sol e, na pele, absorver toda a sua luz. Eu, que não podia ter nos braços aquela vida interior que era a minha vida toda, que não podia dar-lhe a mão, que não podia sequer passar-lhe os dedos devagar pelo rosto, fazia tudo isso escrevendo. Nas palavras escritas tocávamo-nos realmente. Como duas pessoas sobre a terra. Nas palavras, existiam os nossos olhares enternecidos. Dentro de cada uma das palavras, existiam mil palavras, e também cada uma dessas mil palavras tinha dentro de si mil palavras. E mesmo essas palavras que existiam dentro de outras palavras eram enormes, porque também elas tinhas dentro de si mil palavras que tinham dentro de si mil palavras. Nas palavras escritas, éramos possíveis. O nosso amor. Tudo. O mundo. Por isso, aquelas eram as trinta páginas mais importantes da minha vida.


José Luís Peixoto – “UMA CASA NA ESCURIDÃO”

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Tudo me é uma dansa em que procuro

Tudo me é uma dansa em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonhar obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar...


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Hoje...

..foi um dia difícil. Não era nenhuma data especial, mas foi difícil. Estavas presente em todos os pormenores e locais por onde vagueava. Hoje senti como nunca a tua ausência. Não gostavas de me ver chorar, não suportavas mesmo, e por isso saíste daquela maneira, mas hoje não consegui suster as lágrimas… Perdoa-me.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Grito






Foto de MISHA GORDIN: The New Crowd

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Olhar

Estar a olhar para ti, só a olhar para ti, já é suficiente. Tu olhas-me de soslaio e continuas a fazer o que tens a fazer. Ao computador, a comer, a ver televisão, o que for. Eu fico a olhar a ti. Tu não pareces incomodado, mas nem entusiasmado. Suponho que, no fundo, te irrite um pouco. Quando estou a olhar para ti, tenho medo. Fico com um medo profundo, que passa ao fim de uns momentos, de te perder. Mas não te digo, porque não te quero distrair. Só quando dormes é que te digo. Porque uma vez disse-te quando estavas acordado e tu ficaste com lágrimas nos olhos e disseste "é inevitável". Depois beijámo-nos e fizemos amor e eu fiquei tranquila de novo. Porque alguém que me ama dessa maneira não pode deixar-me de um momento para o outro. Mas de qualquer forma, já não te digo. Chamas-me doce e dizes que sou uma mulher maravilhosa. Eu acredito. Nada de mal acontecerá. Porque tudo de bom me está a acontecer.


Ana Vicente - "EU BARRA TU BARRA MIM"

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

As nossas almas

Num sábado fomos jantar com um casal amigo. Uma noite bem passada, muito animada. Mas havia qualquer coisa em ti, mal olhavas para mim, era como se eu não estivesse presente e fosse uma jantar a 3 em vez de 4... Quando chegámos a casa, perguntei o que se passava. Respondeste-me com um beijo apaixonado e disseste que me amavas, que tinhas cada vez mais certeza disso. E abraçaste-me com tanta força que quase me faltou o ar. Foi uma noite de verdadeira entrega e comunhão de almas, braços, bocas, corpos, fluidos, tudo. Mais tarde disseste-me que na noite anterior me evitavas porque quando olhavas para mim só me conseguias ver nua.

domingo, 7 de setembro de 2008

Quando...

Hoje o teu sorriso, quando chegaste, teve algo de mágico. A sardinheira rosa do parapeito abriu mais uma flor. E o Sol, a quem uma nuvem tapava, disparou um raio que te alcançou em cheio no teu olhar mais doce. A Natureza a saudar a primavera de cada regresso. Apetece-me agarrar-te e sussurrar-te ao ouvido tanta coisa que não sei por onde começar. Fica para mais logo. Agora preciso apenas do teu abraço. Antevejo momentos de paz e palavras doces… Quando chegas, tudo é perfeito, tudo é cor...

Maria Branco

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Love Should




So we sleep in beds
We've never made
Holding close to love
When love should fade
Holding on to this is the best thing we'll ever do

Morning sun is sweet and soft on your eyes
Oh my love, you always leave me surprised
Before my heart starts to burst
With all my love for you

And know how it rains
And know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you

And know how it rains
And know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you

So it takes some time
And slip away
Holding on to love
When love should stay
Holding on to you is the best thing I'll ever do

Evening sun is sweet and soft in your face
So I'll never ever leave this place
I feel my heart start to burst
With all my love for you

And know how it rains
And know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you

And know how it rains
And know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you

Moby