terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Esperança
Esperamos sempre que depois da tempestade venha a bonança. E quando a tempestade não passa?
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Essas Coisas
«Você não está mais na idade
de sofrer por essas coisas.»
Há então a idade de sofrer
e a de não sofrer mais
por essas, essas coisas?
As coisas só deviam acontecer
para fazer sofrer
na idade própria de sofrer?
Ou não se devia sofrer
pelas coisas que causam sofrimento
pois vieram fora de hora, e a hora é calma?
E se não estou mais na idade de sofrer
é porque estou morto, e morto
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?
Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Há dias
Há dias assim. Que por mais trabalho que tenha, por mais que a mente esteja ocupada com diversas coisas, a dor continua lá, a embalar o meu acordar e o adormecer. E a não me deixar sorrir.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Em Todas as Ruas te Encontro
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny, in "Pena Capital"
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny, in "Pena Capital"
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Sofro de não te ver
Sofro
de não te ver,
de perder
os teus gestos
leves, lestos,
a tua fala
que o sorriso embala,
a tua alma
límpida, tão calma...
Sofro
de te perder,
durante dias que parecem meses,
durante meses que parecem anos...
Quem vem regar o meu jardim de enganos,
tratar das árvores de tenrinhos ramos?
Saúl Dias, in "Sangue (Inéditos)"
de não te ver,
de perder
os teus gestos
leves, lestos,
a tua fala
que o sorriso embala,
a tua alma
límpida, tão calma...
Sofro
de te perder,
durante dias que parecem meses,
durante meses que parecem anos...
Quem vem regar o meu jardim de enganos,
tratar das árvores de tenrinhos ramos?
Saúl Dias, in "Sangue (Inéditos)"
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Conversas...
- O que vamos fazer hoje para o jantar? - perguntaste
- "Vamos"?
- Sim, hoje quero cozinhar. Alias hoje faço eu o jantar! Não te deixo entrar na cozinha.
- Mesmo? E o que vais fazer?
- Um jantar romântico. Com direito a velas e sobremesa!
- E o que vai ser a ementa?
- Hmmm… Tens alguma coisa no congelador?
- Não…
- Hmmm… Tostas mistas? Mas com as velas e sobremesa!
- "Vamos"?
- Sim, hoje quero cozinhar. Alias hoje faço eu o jantar! Não te deixo entrar na cozinha.
- Mesmo? E o que vais fazer?
- Um jantar romântico. Com direito a velas e sobremesa!
- E o que vai ser a ementa?
- Hmmm… Tens alguma coisa no congelador?
- Não…
- Hmmm… Tostas mistas? Mas com as velas e sobremesa!
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