terça-feira, 5 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ânsia

Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Por quem não esqueci

Há uma voz de sempre,
Que chama por mim.
Para que eu lembre,
Que a noite tem fim.

Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Em nome de um sonho,
Em nome de ti.

Procuro à noite,
Um sinal de ti.
Espero à noite,
Por quem não esqueci.

Eu peço à noite,
Um sinal de ti.
Quem eu não esqueci...

Por sinais perdidos,
Espero em vão.
Por tempos antigos,
Por uma canção.

Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Por quem já não volta,
Por quem eu perdi.


Sétima Legião

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 9 de abril de 2009

É melhor assim...

é melhor assim, já não tenho de ouvir o teu silêncio
é melhor assim, já não tenho de sentir a tua indiferença
é melhor assim, cada um será mais feliz por outros caminhos
sim, é melhor assim...

sábado, 4 de abril de 2009

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

segunda-feira, 30 de março de 2009

Mãos

Umas das coisas que mais admirava em ti, falando a nível físico, eram as tuas mãos. Grandes, mas não muito, extremamente macias (usas creme?), unhas perfeitas, rentes. Toque forte e suave que transmitia uma segurança incrível. Era tão bom sentir-te através das tuas mãos…

quinta-feira, 26 de março de 2009

Amo-te não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo.

Gabriel Garcia Márquez

domingo, 22 de março de 2009

Preciso...

Preciso de uma transfusão, de ser renovada. Preciso de uma nova essência.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Amiga

Tenho uma amiga que me acompanha noite e dia. Ela está sempre lá. Embala o meu sono, abraça-me ao despertar, almoça e janta comigo. Ajuda-me a chorar e a não me esquecer de ti. Mesmo quando estou com outras pessoas, nunca me abandona. Sei que em todos os momentos dos últimos meses, ela esteve sempre presente e que continuará a estar nos próximos.

sábado, 14 de março de 2009

Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que rí e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi outras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sina

Parece que a minha sina segue uma trajectória pré-definida, obedece sempre às mesmas regras, à mesma lei. Tudo o que vivo se baseia na Ley de Murphy e nos seus corolários:
- "Nada está tão mau que não possa piorar".
- "Se existe alguma possibilidade de diversas coisas correrem mal, aquela que causar maior dano será precisamente a que correrá mal."
- "Tudo que começa bem acaba mal. Tudo que começa mal acaba pior."

sábado, 7 de março de 2009

Mais silêncio

Tento conter-me porque temo a resposta, mas não consigo:
- Amo-te!
- ......

quarta-feira, 4 de março de 2009

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

domingo, 1 de março de 2009

"Infeliz daquele que, nos primeiros instantes de uma ligação amorosa, não acredita que ela vai ser eterna!" (Autor Desconhecido)

Eu diria, ingénuo...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Equação

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" Lavoisier - Lei da Conservação da Massa.
O que se perdeu transformou-se em quê? A tua indiferença é o resultado de que reacção? Se o meu amor por ti se mantém, o que havia mais na equação para se ter transformado em tamanha dor?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Recomeça...

Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.

Miguel Torga

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Fundo

Dizem que muitas vezes é necessário bater no fundo para depois voltar a subir. Será que falta muito? Ou será que fiquei presa no fundo por um prego ou uma corda por ali perdidos?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Maldição

Vagueio pela rua sem destino. Não sei para onde vou, só queria sair de casa, deixar de te respirar por uns momentos. Sinto o vento cortante a bater-me na cara, mas na verdade não o sinto. Vejo muita gente, mas na verdade não vejo ninguém. Saí para respirar ar puro, mas é a ti que continuo a respirar, a ver e a sentir. Acompanhas-me como uma maldição…

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Antes de amar-te

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.T
udo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Pablo Neruda

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Doença II

Meus olhos vermelhos lacrimejam constantemente. Nada de novo. Apenas não tenho de me esconder quando a lágrima cai de quando em vez.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Doença I

Estou doente. Gripe malvada que depressa tomou conta de mim. Dor de alma que se confunde com dor de corpo, mas que continua forte e presente e para a qual desconheço analgésico.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sempre!

Pensas que te não vejo a ti? Bom era!
Gravei tão vivamente n'alma a dôce
E bella imagem tua, que eu quizera
Deixar de contemplar-te, só que fosse
Um momento, e não posso, não consigo!

Foges-me, escondes-te e que importa? Esculpes
Mais fundo ainda os indeleveis traços!
Realça-te o retrato! E não me culpes!
Culpa-te antes a ti!... Sigo-te os passos!...
Vejo-te sempre!... trago-te comigo!...

João de Deus, in 'Ramo de Flores'

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Talvez

Talvez um dia. Quando o tempo fechar esta ferida consigamos perceber e crescer. E aí perdoar.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ilusão Perdida

Florida ilusão que em mim deixaste
a lentidão duma inquietude
vibrando em meu sentir tu juntaste
todos os sonhos da minha juventude.

Depois dum amargor tu afastaste-te,
e a princípio não percebi. Tu partiras
tal como chegaste uma tarde
para alentar meu coração mergulhado

na profundidade dum desencanto.
Depois perfumaste-te com meu pranto,
fiz-te doçura do meu coração,

agora tens aridez de nó,
um novo desencanto, árvore nua
que amanhã se tornará germinação.

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'
Tradução de Albano Martins

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Antes...

... da indiferença, foi a ausência. Ausência do namorado, do amigo, daquela pessoa que está sempre presente em todos os momentos, os bons e os maus, os de risos e os de lágrimas…

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sorri

Hoje sorri. Já não me lembrava da última vez que tinha sorrido. Hoje sorri depois de ter ficado encharcada com a chuva que me apanhou de surpresa no meio da rua.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

De um Amor Morto

De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano

De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora

Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"