sábado, 11 de outubro de 2008

Parado

As pessoas continuam a aparecer. Na rua, em minha casa, por todo o lado. E, principalmente nos sonhos. Aparecem-me em sonhos sem serem chamadas, sem desejá-las lá. Vêm e dominam a parte de mim que pensava já ter controlado. Sem pudor, sem inibição, atacam-me e deixam-me assim. Será a vida a insistir comigo? Ruídos que tentam anular a minha voz. Estou a tentar o silêncio. Assim, não consigo dormir. Não posso dormir. Ela, às vezes, também aparece. Depois acordo como um adolescente e não sei o que pensar. Talvez chorar, mas não. Fico embaraçado comigo mesmo, envergonhado, mesmo achando que não devo sentir vergonha. As pessoas estão aí. Quero controlar o que nelas me motiva. Também elas morrem, partem, mentem. São como tudo o que aqui há. O que, em mim, é comum a elas desperta ferozmente durante a noite. Ninguém me ensinou o que fazer com isso. Suponho que tenho de aguentar. Ficar parado, não mexer, não respirar.


Ana Vicente - "EU BARRA TU BARRA MIM"

Sem comentários: