segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

De um Amor Morto

De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano

De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora

Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

3 comentários:

Anónimo disse...

Esta Lindo!
Adoro a escritora, o teu blog esta muito bom, parabens!
Beijinhos

Carla disse...

Sou apreciadora de Sophia de Mello Breyner Andresen...mas este poema desconhecia...obrigada pela partilha !!

bj

Indiferença disse...

Iriz, Shakti

Obrigada pela vossa visita!
Também admiro muito Sophia de Mello Breyner Andresen e os seus poemas.

Beijinhos